Rita Ora está entre as maiores celebridades da Inglaterra, amada por sua atitude e sua amplitude como entertainer. Ela apareceu em faixas com Drake e Craig David, e quase se tornou representante da Inglaterra no Eurovision Song Contest ainda nos anos 2000, fazendo seu nome como cantora. O grande momento chegou cinco anos atrás, em 2012, quando seu nome se expandiu em cada centímetro do ciberespaço como cantora, performer, e estrela das pequenas e grandes telas.

Ela esteve por todos os lados, presente no The X Factor, The Voice UK e America’s Next Top Model. Como atriz, ela conseguiu seu papel na trilogia “Cinquenta Tons de Cinza” e tem outro filme à caminho. Como uma designer de moda, passou anos trabalhando no desenvolvimento de produtos para linhas da Adidas e Tezenis. O passado de Ora a mantém com os pés no chão. Seus pais são refugiados albaneses que deixaram o Kosovo durante a guerra nos anos 90. Seus sacrifícios estão sempre com ela.

Nos encontramos com Ora na sua suíte no W Hong Kong. Ela está faminta por sucesso à frente de um novo álbum e, bem, apenas faminta. Ela nos convidou para compartilhar um castelo de carboidratos com variedades de pizza, hambúrgueres, quesadillas e batatas fritas. Entre mordidas, nós falamos sobre música, sexualidade, e sua crise de quarto-de-idade.


Nos fale um pouco sobre seu segundo álbum.

O novo álbum é incrível porque eu coloquei meu coração e alma nele. É o álbum mais real do qual eu já fiz parte. Tive muitas fases com esse álbum, sabe, muitos personagens. Costumava achar que era vergonhoso ser vulnerável, até que comecei a usar isso em minhas músicas e agora não consigo parar de ser vulnerável. Acho que o lado vulnerável de mim é o melhor lado. É a melhor coisa que eu poderia ter feito

Você acha que a vulnerabilidade ajuda as pessoas a se identificar com você?

Nunca pensei que poderia ser vulnerável até eu poder ser parte do processo de composição. Com este álbum eu evoluí como compositora e fui capaz de explorar a mim mesma. Não é mais sobre “Ah, com quem Rita está namorando?”. Entende? Sinto que isso foi realmente uma conquista para mim, dar um passo para trás e escrever músicas solidas que eu e meus amigos gostaríamos de ouvir.

Você tem quase uma década de carreira agora…

O quê? Uau, estou velha.

Quantos anos você tem?

Vinte e seis. 26 de Novembro de 1990. Estou velha para a indústria.

Parece que você cresceu muito, especialmente nos últimos anos.

Obrigada. Digo, eu me assustaria se eu fosse exatamente a mesma. É tão estranho quando as pessoas dizem “Uau, ela mudou drasticamente”. Mas não, eu só cresci um pouco. Todo mundo muda um pouco.

Você já falou antes sobre a crise de quarto-de-idade. Como você se sente agora?

Me sinto bem, obrigada. Não sei se eu criei essa palavra, mas ela existe. Eu pesquisei isso. Muitos de meus amigos me disseram que é uma idade aonde você não é nem velho o bastante nem novo o bastante. Você está no limbo e se transferindo para os 30. Não importa o que você está fazendo na vida, acontece. Acho que foi uma fase da vida que eu estava passando e não sabia o que estava acontecendo.

Foi essa crise que fez você se diversificar tanto? Você desenhou linha de lingerie, coleções de sapatos, apresentou programas de TV e esteve em filmes.

Não, eu só amo trabalhar. Para mim, não era uma coisa de trabalho que motivou minha crise. Foi uma coisa particular. Não parou desde que fiz 21 anos. Quando fiz 25 eu estava três ou quarto anos sem paradas e sem feriados, e pensei comigo mesma “Uau”. Foi a primeira vez que senti e foi intensa. Mas eu superei.
Como você superou?

Passei tempo com a família. Fui pra casa, comecei do zero e comi o que eu queria. Comecei a curtir eu mesma.

Este novo álbum, você tem uma faixa favorita?

Tem essa música chamada “Girls” que, na primeira ouvida, você vai pensar “Uau, ela está definitivamente deixando que nós saibamos que ela gosta de meninas”. Mas não é só isso. Se chama “Girls” porque eu tenho minhas amigas de verdade nela, como Charli XCX, que é uma das minhas melhores amigas. A música é sobre mulheres elogiando umas as outras, e apoiando umas as outras. Feminista não é uma palavra assustadora mas as vezes as pessoas ficam com medo de usá-la porque ela foi usada em um contexto, digamos, agressivo em algumas ocasiões. Mas não é assim. Quando Katy Perry cantou “I Kissed A Girl” não era sobre necessariamente ela dizer “Galera, eu sou lésbica”. Foi mais sobre empoderamento, ser vocal sobre as coisas e livre para escolher e dizer coisas. É sobre isso que “Girls” se trata e isso me anima. Não sou a única fazendo isso. Muitas pessoas fizeram isso ao longo dos anos. Só estou me juntando ao movimento.

Estamos falando sobre Cara Delevingne?

O quê? Não. Estou falando sobre meninas no geral, meninas apoiando umas as outras.

Quando você foi “marida” da Cara, isso começou um grande movimento.

Sim, acho que é seguro dizer que começamos um movimento. Acho que começamos. Ela é uma das minhas favoritas, mas isso é em outros tempos. Estávamos pegando fogo naquela época.

Foi sexual em algum momento, o relacionamento? Era ambíguo.

Bem, esse é o ponto.

Você parece confortável com sua sexualidade.

É o jeito que as pessoas são. Você escolhe o que é e o que quer ser. E é assim que eu sou. Eu não julgo ninguém. Não tenho opiniões a não ser que elas sejam sobre mim mesma. Faço o que sinto. Realmente reajo sobre sentimentos e instintos.

Você acha que é a crítica mais dura sobre si mesma?

100% sim. Tem algo sempre errado. Eu posso achar sempre algo errado sobre algo.

Você falou sobre construir um império antes. Como visualiza que o seu será?

Quero fazer algo para com que eu possa me aposentar e que tudo fique bem. Entende? Meus pais sempre foram pessoas muito futuristas, sempre pensando no future. E nós fomos criados nesse contexto. Eu não sabia o que era império antes, quando eu estava começando. Não sabia mesmo. Aí fiz o America’s Next Top Model e Tyra, ela sim criou um império. Eu respeito muito as pessoas que fazem isso porque faz você parecer multi-tarefas, sabe? Para ser honesta com você, eu mal posso passar no meu teste de habilitação, imagine só começar um império. Sou como homem, só me foco numa coisa por vez. Sem ofensas. Comecei a desenvolver um TOC sobre isso. Comecei a me perder tentando criar algo porque tenho uma família e tal. Minha família. Eu quero que eles sejam felizes.

Qual o seu estilo pessoal?

Creio que sou muito inspirada pelas ruas. Cresci em West London e eramos uma família de classe media. Tínhamos sorte de termos uns aos outros. Entende? Me inspirei na cultura das ruas. As vezes você olha para certas coisas e diz “Ah, eu realmente quero isso”. Mas você não pode pagar por isso, então você se adapta. O estilo das ruas é algo que eu sempre estou observando.

Seu estilo mudou muito ao longo dos últimos 7 anos?

Talvez tenha, devido ao fato de que eu posso comprar as coisas agora, mas não na realidade. Só se expandiu. Não esqueci de onde vim. Costumava fazer peças desde o começo e as pessoas falarem “Uau, que marca é?” e eu dizia “Gucci”.

Quais são duas marcas favoritas agora?

Amo Dries Van Noten e Adidas porque estamos trabalhando com eles por 15 coleções.

Você está usando suas Adidas agora?

Não estes, eles são Superstars. São meus modelos favoritos desde que eu era nova. As pessoas chamam eles de conchas, mas são Superstars na realidade. Nunca saem de moda.

É interessante você dizer sobre Dries, porque ele não está normalmente no topo das listas.

Sabe porquê? É a simplicidade. As pessoas são realmente surpreendidas pelo meu conhecimento de moda. Isso realmente confunde as pessoas. Mas eu gosto de conhecer as histórias das pessoas, e as histórias por trás das marcas.

Você pesquisa a marca e designer antes de comprar?

Não, eu faço porque quero saber.

Não vou entrar em detalhes da sua vida pessoal.

Não, faça. Treinamento pra imprensa é um dos meus fortes agora.

Você já percebeu que seu sucesso intimidou potenciais parceiros?

Acho que parei de olhar na outra pessoa e comecei a olhar para mim. É uma coisa de tempo. Outras pessoas da indústria me disseram que é uma coisa de tempo. Me disseram que é uma coisa sua e você saberá quando está pronta. Acho que é isso que estou esperando.

Parece que você está tomando as rédeas de sua carreira e de sua vida.

Sim, mas não é assim o tempo todo.

Você já se sentiu perdida?

100%. Não achava que eu tinha chegado a esse ponto. Acho que é quando a minha situação de crise de quarto-de-idade aconteceu. Estava no começo do processo desse álbum e comecei a reassumir o controle. Sempre tive uma opinião sobre minhas ações e decisões, mas agora eu tenho o luxo da escolha. Posso dizer não as vezes. Mas no começo, ah sim, no começo é bom você fazer de tudo. É melhor você dar entrevistas para cada publicação conhecida pela humanidade.

Você trabalhou com alguns dos maiores, como Carrie Fisher.

Estive com ela no dia anterior que ela foi naquele voo e é tudo muito louco. Ela bebeu muita Coca-Cola e nós estávamos, tipo, amando a vida na Coca-Cola. Nós estávamos rindo muito, a cena foi incrível e ela me ajudou tanto. E foi isso. Espero que as pessoas curtam o filme, Wonderwell, é um filme legal.

Você é de uma família muito unida. Eles leem todas as histórias sobre você?

Sim, todas. Eles me mandam links. No final do dia, eles ainda são apenas parentes, sabe? Eles irão me mandar mensagens tipo “É verdade?” e eu vou dizer “Não mãe, eu não comi 20 cupcakes de uma vez” ou o que quer que seja. As manchetes conseguem ser ridículas.

Você interpreta a irmã de Christian Grey em Cinquenta Tons. O que sua mãe acha disso?

Ela ama. Ela foi assistir com meu pai e meu irmão mais novo. Mamãe ama esses filmes. Ela já está perguntando quando sai o próximo.

Sua mãe é uma terapeuta mas seus estudos não foram transferidos quando ela veio para a Inglaterra como refugiada, certo?

Não, ela começou do zero. E ela estava batalhando contra o câncer de mama enquanto estudava. Ela ia para a quimioterapia e a inda estudava. Foi há 10 anos. Ela está em seu melhor momento e já passou por tanta merda… Ela é minha pessoa favorita. Posso falar dela o dia todo. Vejo-a o máximo que posso e acredite, ela sempre mantém contato.

Você disse que tudo o que faz é para sua mãe.

Sim.

Mas e para você?

Faço por mim também, mas para ela principalmente.

Você nasceu no Kosovo e foi recentemente indicada como embaixadora.

Meu Deus. Você sabe o quão louco é isso? Estamos no processo de construir escolas. Vai levar oito anos. Estamos buscando os patrocinadores e recursos agora. Tenho trabalhado com a UNICEF por um longo tempo. Eles tem sido um dos mais consistentes apoiadores do Kosovo desde a guerra. Acho que é importante dar retorno para meu país, porque tem tanto talento lá que as pessoas não veem.

O quanto você vai pra lá?

Não vou tanto quanto eu gostaria ou deveria porque trabalho muito. E tem outra razão pela qual eu quero construir algo. Filmei Shine Ya Light lá e eu não percebi isso na época, mas aquilo foi muito importante. Foi louco. Ninguém tinha feito isso antes. Me senti como Michael Jackson. Digo, o presidente estava lá. Nunca pensei que diria isso, mas eu sentia, “Era assim como Michael Jackson se sentiu?”.

Você está feliz?

Sim. Bem, estou contente. Calma. Me sinto bem.