Nascida no Kosovo e crescida em Londres, aonde ela foi catapultada para o estrelato do pop com 22 anos, Rita Ora está se preparando para revitalizar o America’s Next Top Model, assumindo o lugar da apresentadora Tyra Banks, que está indo trabalhar nos bastidores após 22 temporadas. A Billboard entrevistou a multi-talentosa de 26 anos no Mercer Hotel em Nova Iorque, aonde a cantora/atriz/designer estava usando uma jaqueta gigante e laranja em cima de um vestido preto Acne (ou, como ela coloca: “Estou vestindo este paraquedas aqui, apenas no caso de eu ter que sair voando pela janela”).

Abaixo, Ora fala sobre ser uma chefe, expressar si mesma na era de Trump e Brexit, e encontrando suas improváveis inspirações de estilo – olá Dama de Aço – bem como falar sobre seu segundo álbum, que ela diz ser o primeiro álbum que ela pode finalmente dizer que tem orgulho.


Como a nova apresentadora do America’s Next Top Model, você está entrando em uma ousada posição. Como você fará o papel o seu próprio papel?

Com certeza estou. Não me aproximei como se estivesse assumindo o papel dela – estamos criando um novo papel. O show está na sua vigésima terceira temporada agora: pensei: “vamos fazer dele atual”. Todos os ídolos de nossa geração são bem sucedidos através de redes sociais, expandindo suas marcas com a internet. Quis que essas meninas sejam uma ameaça para as Gigis, as Bellas, as Kylies.

Então a vencedora do ANTM tem que ser uma marca, um negócio, e uma chefe. Significando que, você não tem apenas que aparecer em ótimas fotos, mas tem que trabalhar! Tire-as, poste-as, se expresse, crie sua marca – mesmo se é uma boa controvérsia, tem que ser você!

O quê você quer dizer por “boa controvérsia”?

Quero dizer, o que você tem a dizer que as outras meninas que já estão na indústria ainda não disseram, o que você está dando para o nosso mundo?

Você já foi uma jurada na TV antes, no The Voice UK e no The X Factor. Quais são as lições que você aprendeu e que te prepararam para assumir este papel em particular?

Você tem que assumir o que diz. Manter sua opinião, assumir você mesma e ser orgulhosa de quem você é.

O que específicos designers ou estilistas te ensinaram ao longo do caminho?

Trabalhei com Patti Wilson, que trabalhou com Prince, e fez os figurinos de O Guarda-Costas com Whitney Houston [começa a cantar “Queen Of The Night” de Whitney]. “Eu tenho as coisas que você quer!”, esse foi um momento icônico para mim. Ela me ensinou a ser sempre ousada e marcante consigo mesma. Você não tem que ser fisicamente marcante, apenas a sua energia e a sua personalidade, irá exalar de você. E também Karl Lagerfeld, e estar na família da Chanel, desfilando para a coleção de alta costura, ensinou-me a ser chique.

O que significa ser chique, para você?

Não sair de boates com seus peitos pra fora [risos]. Ter uma voz, ter uma história, e ser uma dama.

Existem jeitos chiques de se mostrar o corpo, como as imagens da sua nova campanha que sairam hoje para a Tezenis.

Sim, para mim esse é o meu chique.

Como você descreve sua estética pessoal de moda?

Não tem limites na realidade. Personalidades me inspiram, todos, de Margaret Thatcher à Lady Gaga, de Blondie para Billy Idol ou Freddie Mercury. É sobre eles, mais do que como eles se vestiam, que me inspira.

O que te inspira em relação à Margaret Thatcher?

Amei o quão forte ela foi. Eu era uma criança, então obviamente não vou entrar na história toda. Mas eu sempre lembrei a voz e a presença, e isso para mim foi inspirador. E suas citações: “A dama não é para se brincar”, por exemplo, é uma que eu sempre achei muito poderosa.

O que você pensa sobre a contínua ênfase da indústria da moda em tamanhos mínimos como a normalidade?

Este tem sido um problema constante na moda pode décadas. Acho que estamos num avanço lento, com nós sendo muito claras em relação à isso. Ashley [Graham] estando no painel de jurados é um grande ponto em relação ao que aceitamos no ANTM. Ela é um exemplo primordial de alguém que vem com uma história, de estar em catálogos de modelos para agora ser a capa da Sports Illustrated. É uma conquista real, e sua história eu achei que inspiraria as meninas.

Ashley dá para as meninas confiança em si mesmas. Eu as dou iniciativas, uma ideia de como expandir sua marca e fazer delas colaboradoras como eu mema: eu trabalho com Adidas, Rimmel e Tezenis e atuo em filmes, e agora estou finalizando meu álbum, graças a Deus!

Você finalmente se livrou de seu contrato com a Roc Nation após uma longa disputa legal. O que podemos esperar de seu próximo álbum?

Me mudei para a Atlantic, finalmente, e estou num grande caminho. Trabalhei com pessoas incríveis, como Stargate, e realmente tirei um tempo. Até mesmo Nile Rodgers colocou uns riffs de guitarra muito legais nele. Tenho músicos de respeito que eu amei enquanto crescia, e membros de bandas para quem eu abri shows em turnês, como o Coldplay, que me deram conselhos, e agora estou finalmente colocando eles em ação.

O que é melhor é que as pessoas estão querendo realmente estar envolvidas nisso, o que é animador para mim: meu retorno para a música, que é o meu primeiro amor. Me lembra de quem eu sou. Enquanto passei pela transição de gravadoras, me esqueci disso. Agora eu tenho a chance de ser livre. Escrevi tudo neste álbum, é música ao vivo, obviamente mixada com algumas boas batidas. É tudo sobre melodias e meu amor por soul e harmonias. É a primeira vez que eu estive orgulhosa de minha música.

Tem um tema para o álbum?

Sim: Londres! Ser do Reino Unido e ter esse amor pelo grime e o rap britânico, os Skeptas e os Giggs do mundo que nós temos representando nossa juventude, isso é muito importante para mim. Tem uma música chamada “I’m Not Afraid” que fala sobre tudo o que as pessoas pensam que eu fugi ou desisti. Tem uma música chamada “Soul Survivor”. Não é um álbum emotivo, este é um álbum de alegrias. É sobre se libertar. É como um renascimento.

A América está entrando em um novo capítulo. Tem muita divisão neste país no momento.

Com certeza.

ANTM sempre teve um espírito pioneiro de inclusividade no show. O que significa ser a nova America’s Next Top Model na esra que os Estados Unidos estão entrando com Donald Trump como nosso novo presidente?

Não sou uma política, primeira e principalmente. Sendo do exterior, sendo do Reino Unido, temos muitos problemas rolando conosco mesmos, que nós todos sabemos quais são. E eu sendo uma refugiada, eu tenho muito a falar com minha opinião, tendo saído de uma zona de guerra para o Reino Unido, que me deu uma educação. Sou um exemplo de uma pessoa que fez boas coisas com um país autorizando refugiados a entrar em nosso país. E sendo uma embaixadora Albanesa para o Kosovo, eu falo a minha opinião para a minha geração. Ter a liberdade de ter uma educação é vital.

No que se refere ao ANTM, quero lembrar as garotas que elas tem a chance de dar suas ideias e o direito de apresentar si mesmas do jeito que elas querem. Para mim, liberdade é tudo: sem a liberdade você não é capaz de criar, você não pode escrever esta entrevista, você não tem sequer o direito de expressar você mesma.

Sua coleção final com a Adidas acabou de ser lançada. O que temos de novidades sobre você como designer?

O relacionamento com a Adidas ainda está aí. Ainda somos parceiros no crime. Estou só indo em frente e encontrando o próximo objetivo, que é fazer seu próprio dinheiro, sem compartilhar! Não é sobre o dinheiro: eu tive a melhor experiência com a Adidas, aprendendo a como fazer design de roupas, trabalhando com uma marca global. É uma das melhores marcas globais, agora eles tem Kanye, Pharrell, eu, Stella McCartney. É um grande catálogo para se estar.

O que você quer desenhar agora?

Tudo! Fazer lingeries foi divertido. Mas apenas roupas, me divertir com roupas e fazê-las acessíveis para as pessoas de minha idade.

Você tem alguns filmes vindo aí, como o próximo filme de Cinquenta Tons em Fevereiro. Veremos mais da irmã de Christian Grey desta vez?

Sim, com certeza. Sou uma fã dos livros. Eles vão para Aspen. Ela está lá quando ele sofre o acidente. Ela está definitivamente envolvida nas decisões familiares. Ela é sequestrada. Então ambos tem que me salvar.

É divertido. Nunca olhei para o papel como um papel principal, já que nunca foi feito para ser um. Foi mais sobre ser parte de uma franquia e aprender como uma atriz.

E você está também filmando com Carrie Fisher?

Sim, neste novo filme chamado Wonderwell, filmado em Roma. É muito diferente para mim. Carrie interpreta uma boa feiticeira, eu interpreto uma feiticeira má e designer de moda – é como o Diabo Veste Prada feat. Malévola. Estou no comando desta marca de moda, mas eu sou a feiticeira da cidade, e eu preciso que estas crianças meio que me deem os poderes delas, então eu poderei dominar o mundo. Então Carrie vem e as salva, e é uma jornada. Nós somos arque-inimigas por muito tempo. É divertido. É um filme independente, é realmente legal.