Rita Ora não está atendendo sua campainha.

Estou parada do lado de fora de sua casa em Beverly Hills por 20 minutos agora, apertando a buzina. Mas até o momento, nada.

A casa está no fim de uma estrada e é protegida por uma cerca elétrica, como o resto das vastas casas nesta rua, que pertencem aos mega ricaços, então eu não posso sequer bater na porta, ou olhar através de uma janela.
Tento a buzina novamente. Sem resposta.

De repente, uma Land Rover aparece na rua ao meu lado. Deve ser a Rita. Errado. A janela abaixa revelando um cara bonitão em seus vinte e poucos anos. “Você está aqui para entregar algo?”

Ele me olha confuso quando eu explico que estou ali na verdade para estar entrevistando Rita. E que ninguém está me atendendo. Ele tenta falar com ela pelo FaceTime. Quando ele, também, não obtém resposta, ele sai do carro, pula o portão e some pelo quintal.

Alguns minutos depois ele reaparece, abre o portão, pede desculpas e pede que eu o siga pelo jardim até um bangalô. Rita está parada na porta com um grande sorriso no rosto. “Me desculpe”, ela diz. “Achei que iriamos nos encontrar à 1h30 da tarde”. Ela aponta para o rapaz que me deixou entrar. “Este é meu amigo Faisal. Estamos trabalhando em faixas juntos.”


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Ela é uma baita visão. Seu cabelo loiro está preso num rabo de cavalo, e ela está usando óculos vintage com lentes rosa, um laço preto ao redor do pescoço e um maiô da Solid & Striped. Estava admirando isso no seu Instagram uns dias antes.

“Me perdoe por isso”, ela diz, apontando para seu cabelo. É aparentemente uma bagunça por ter usado extensões enquanto filmava Cinquenta Tons. “Irei arrumar ele mais tarde.”

Ela aparenta estar cansada e com olheiras. Suspeito que ela estava dormindo quando cheguei – totalmente compreensivo dada sua agenda atual. As coisas tem sido loucas para Rita recentemente, e de uma forma muito boa.
Não apenas ela terminou de filmar o segundo e terceiro filme da franquia de Cinquenta Tons, mas também está em estúdio criando seu segundo álbum. Isso vem após ela finalizar um processo judicial com a gravadora de Jay Z, Roc Nation, em Junho e imediatamente assinar um novo contrato com a Atlantic Records. Some isso ao fato de que ela está prestes a lançar sua sexta linha para a Adidas Originals e mais tarde este ano ela irá substituir Tyra Banks como a apresentadora de um dos maiores programas de TV americanos, America’s Next Top Model, e você tem uma mulher muito ocupada. Mas é este o jeito que Rita gosta.

Nos sentamos do lado de fora, perto da piscina. Faisal ou “Fai” se junta à nós. Um anel de borracha flutua na superfície da piscina.

Esta “casa aleatória” pertence à um amigo. Ela está aqui temporariamente enquanto grava faixas e fotografa para uma campanha da Adidas. “Ninguém tem morado aqui por um bom tempo, então me perdoe pelos móveis de jardim sujos”. Ontem foi o primeiro dia de folga de Rita em meses. “Não me movi pela maior parte do dia”, ela diz. “Então eu senti tipo ‘car*lho eu tenho que fazer algo'”, ela ri alto. “Então saí para fazer uma caminhada”.

Testemunhei o quão louca é a agenda de Rita em primeira mão nos últimos dois dias. Na sexta ela estava fotografando para a Adidas até as duas da manhã nas ruas de Los Angeles. Depois ela passou o dia fotografando nossa capa numa casa de praia em Malibu, mal parando para almoçar. Daí, Rita foi direto para a a parada do orgulho LGBT de Los Angeles para performar com Charli XCX à meia noite.

“Estou animada”, ela diz. “Este é um ótimo momento para uma entrevista, porque estou gravando meu novo álbum enquanto nós falamos”.

É fácil de se esquecer que Rita só tem 25 anos. Mas ela sempre enganou a todos. Ela creceu em West London. Sua família se mudou para o Reino Unido como refugiados de um Kosovo dividido em guerra quando ela tinha um ano de idade. Sua mãe, Vera, é uma psiquiatra, e seu pai Besnik, um dono de pub. Ela tem uma irmã mais velha, Elena, que trabalha para ela, e um irmão mais novo, Don.

Rita soube desde cedo que ela queria ser uma cantora, e conseguiu uma vaga no Sylvia Young Theatre School em Londres. Ela era da mesma sala que Jesy Nelson, do Little MIx. “Era uma escola musical do tipo de teatro, e eu não tinha aquele tipo de voz”, ela diz. “Nas aulas de canto, eu deixava isso bem claro, transformando musicas teatrais em uma espécie de música R&B. Nunca fui a quietinha da sala – eu era sempre a garota com a risada irritante. Ainda sou. É muito potente e muito alta”. À minha direita, “Fai” balança a cabeça. “É ótima”, ele confirma sem emoção.
Ela se graduou aos 16 anos e desistiu da escola para se focar em sua carreira musical. “Comecei os anos finais e desisti”, ela diz. “Queria dar uma chance à isso, então eu trabalhei com minha mágica e implorei para meus pais por um ano sem estudos, assim eu poderia continuar com minha música. Comecei a fazer sessões de microfone aberto no pub de meu pai, e então eu ajudava meu pai no balcão. É muito difícil de se servir uma boa cerveja, para sua informação. Posso te dar umas aulas de barman!”. Aquela risada novamente. “Mas sim, a plateia começou a ficar cada vez maior”. A partir daí ela conseguiu uma empresária, Sarah Stennett, que hoje também cuida da carreira de Zayn Malik, e apareceu numa faixa de Craig David, “Awkward”, em 2007. Então em 2008 ela fez uma audição para o BBC One’s Eurovision: Your Country Needs You para representar o Reino Unido no Eurovision Song Contest de 2009. Mais tarde ela desistiu.

“Estávamos tentando conseguir um novo contrato de gravação. Fiz uma audição na frente de Andrew Lloyd Webber, entrei na sala realmente querendo a vaga, mas saí da sala pensando ‘O que é que eu estou fazendo?’. Não parecia certo. Sabia que não era a forma com que eu queria lidar com a minha música”.

Sua intuição estava certa: alguns meses depois ela estava contratada pela Roc Nation. Ela lançou Hot Right Now com DJ Fresh, o primeiro de seus três #1s seguidos. Seu álbum de estreia de 2012, Ora, também esteve no topo dos charts. Desde então ela foi jurada no The Voice UK e The X Factor, teve papeis nos filmes Cinquenta Tons de Cinza e Southpaw. Ela até mesmo foi indicada à um Oscar no ano passado, e cantou “Grateful” do filme “Além das Luzes” (indicada à Melhor Canção Original) na cerimônia.

“Não entrei na música pensando ‘Farei um álbum, depois um filme’. Segui o fluxo de como as coisas e assim que minha carreira começou a se mover nessas direções, disse para mim mesma, ‘Isso não irá parar…’. Se você pode fazer tudo isso, porquê não fazer?”.

Rita da créditos em sua ética de trabalho à seus pais. “Eles que colocaram esse pensamento em mim. Trabalhei verdadeiramente duro desde quando eu posso me lembrar. Existem pessoas que eu respeito estritamente por suas propostas de negócios. Victoria Beckham, por exemplo. Ela é uma inspiração incrível e eu amo as coisas dela. E ela veio das Spice Girls – incrível! As pessoas ficam confusas com o que eles veem nos jornais hoje em dia e só vem o ‘Rita festejando’. Eles não veem as 16 horas diárias as quais eu trabalho. Você tem que trabalhar muito duro para sobreviver nesta indústria hoje em dia”.

E não foi fácil. Rita vivenciou o sexismo na indústria musical quando ela começou.

“Sim, 100%”, ela diz. “Especialmente no começo da minha carreira. As coisas eram ditas de forma diferente e conversas eram levadas para fora [dos lugares aonde eu estava] apenas por eu ser uma mulher”

Nos anos recentes ela teve que lidar com muitos obstáculos na sua carreira musica. Em 2014, após sua separação de Calvin Harris, foi divulgado que o DJ a proibiu de usar músicas que ele produziu para até então o seu próximo álbum (Rita não falará sobre Calvin hoje. “Odeio ser definida por relacionamentos”).

Então, em Dezembro do ano passado, ela processou a gravadora de seu mentor Jay Z, Roc Nation, com quem ela era assinada desde os 18 anos. Ela queria o fim do contrato. Roc Nation à contra-processou em 1,7 milhões de euros. Eles entraram em acordo em Junho, o que significa que ela pode agora lançar novas músicas novamente.
Isso veio apenas um mês antes de fãs especularem que Rita poderia ser a “Becky do cabelo bom”, que recebeu a fúria de Beyoncé em seu álbum Lemonade. Rita destruiu os rumores postando uma foto em seu Snapchat ao lado de Beyoncé, com a legenda “família”. Sobre os problemas com a Roc Nation ela diz: “Ainda estou feliz de ter tido essa incrível experiência. Jau é um dos meus ídolos e Beyoncé é obviamente a rainha da vida. Nunca irei não agradecer a experiência que tive com eles e as coisas que vi”, ela adiciona, “Eles foram grandes mentores. Me espelho muito neles”. Quando pergunto se eles ainda são próximos, ela repete, “Me espelho muito neles”.

Apesar de seu exterior confiante, Rita tem sérios momentos de auto-dúvida. Ela admite que passou mal duas vezes antes de se apresentar no Oscar de 2015. Ela adiciona: “Fico muito nervosa porque me importo demais com tudo. As vezes fico completamente nervosa sobre gravar uma música no estúdio. Falo ‘Fai, não estou pronta para gravar essa música ainda'”. Fai confirma. “Ou ‘Acho que não consigo fazer isso’. Então eu tenho alívio por ter pessoas ao meu redor que me encorajam a fazer tudo bem, como Fai ou Dakota Johnson (sua companheira de Cinquenta Tons), que é uma grande amiga”.

Então Rita recebeu bem a revelação de Zayn Malik que disse que a ansiedade foi a razão pela qual ele cancelou uma aparição no Capital’s Summertime Ball em Junho. “Estou tão feliz de que alguém falou sobre esse tema publicamente”, ela diz. “Não tenho medo de admitir que tive que passar por terapia. Tinha uma pessoa com quem eu conversava uma vez por semana. Pessoas sofrem de maneiras diferentes, mas para mim é mais sobre pensar no objetivo à longo prazo. Sou uma pessoa muito ‘do momento’, então se eu tenho que fazer algo aqui e tal, estarei bem. Mas se eu ficar pensando sobre isso, é aí que os pensamentos de ansiedade começam a aparecer”.


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Mas no momento, Rita está num bom lugar e animada sobre voar para casa, em Londres, na semana que vem, para ver seu cachorro Cher, e ir para o Glastonbury Festival.

“Não estive em casa desde que comecei a filmar Cinquenta Tons – isso faz uns quatro ou cinco meses. Minha pobre cachorrinha. Uma amiga da família tem cuidado dela. Tenho os melhores amigos que me apoiam e vão para minha casa para se certificar que está tudo bem. Sinto falta de Londres e poder ir aos pubs e ver meus amigos”.
Ela está nas nuvens sobre poder finalmente ser capaz de lançar um segundo álbum. Depois que eu sair e ela arrumar seu cabelo, Rita irá se encontrar com sua amiga Charli XCX para fazer as unhas, e então elas irão para estúdio gravar algumas músicas.

“Unhas, depois estúdio, depois cama”, ela ri. O telefone de Fai toca e ele desaparece dentro de casa. “É ótimo poder voltar e ser musicalmente livre” Ela sorri. “Alguns dias eu vomito música pra fora e tenho que limpar mais tarde, sabe?”

Ela até trabalhou com Prince, que morreu de overdose em Abril, com 57 anos. “Foi um momento difícil para mim e minha irmã”, ela diz. “Ele nos ligava regularmente e eu fui para Minneapolis para gravar por uma semana. Ele foi uma das pessoas mais legais, mais inspiradoras. Sou sortuda de poder ter tido a chance de compartilhar momentos com ele”.

Com isso, seu hairdresser chega para arrumar suas extensões. “Oiiii”, grita Rita. “Não demorarei. Sinta-se em casa”.

Uma rotina dessas deixaria uma pessoa louca. Não Rita. “A parte mais difícil é mantê-la. Leva disciplina. Você tem que sacrificar sair com seus amigos, coisas assim. Mas então, quando você tiver 30 anos, você pode olhar para trás e falar ‘Uau, eu criei isso’.”

A coleção de outono/inverno 2016 de Rita Ora para a Adidas Originals será lançada em Setembro.