Ser criticada, envergonhada ou perseguida online pode nos enterrar. Marcas e pessoas, adultos e crianças, celebridades e influenciadores, o medo de encarar negatividade e julgamento nas mídias sociais é coletivo. Lado a lado com imensuraveis níveis de ansiedade, é algo que leva a 115 milhões de imagens sendo deletadas anualmente, provando que a repressão da expressão é real graças ao cyberbullying.

Esse problema social levou a Rimmel a lançar a campanha “Não vou ser deletada”, um projeto de longa duração com a Cyber Smile Foundation, mirando levantar a consciência social do problema, promover apoio prático às vítimas e destruir a descriminação que fica no caminho da auto-expressão.

Incluídas na campanha tem as embaixadoras da Rimmel e amigas próximas (sem contar ícones globais) Cara Delevingne e Rita Ora. Conhecidas por apresentar autenticidade nas redes sociais, mas infelizmente não sem serem julgadas, as personalidades destemidas falaram com a Harper’s Bazaar UK sobre suas experiências dolorosas de cyber bullying e as ferramentas que elas usam para encontrar confiança para celebrar sua beleza e individualidade.

HB: O que vocês aprenderam sobre o complexo assunto do cyberbulling a partir de experiências pessoais?

Cara: “Eu vejo muitos comentários negativos nas minhas coisas, porque você procura por eles. Eu gastei muito tempo olhando por essas coisas no começo da minha carreira, procurando por pessoas para me odiaem porque eu provavelmente não gostava de mim mesma naquela época. Mas o pior é que você meio que se acostuma Eu estou acostumada e eu agora rio disso. Claro, eu acho que existem pessoas que pensam assim, mas sabe, eu não. Então o que é mais importante: se você não liga, é o que importa. Agora quando eu posto sobre coisas que eu realmente me importo, como políticas que eu realmente acredito e coisas que precisam mudar, comentários nessas coisas são o que realmente me assustam. Com frequência as pessoas são tão extremas nas suas crenças que realmente me assustam. Se você não acredita no que eu acredito, por quê me segue?”.

Rita: “Eu passei por uma fase aonde no momento eu lancei uma música e as pessoas responderam com ‘o que é isso?’. Causou muita controvérsia e me fez questionar o poder da internet. Antes disso eu apenas havia experienciado haters em fotos e coisas assim, mas nunca me atingiram. Quando começaram a envolver minha música, que é meu bebê, eu comecei a me sentir insegura. Me deixou pra baixo. Então estou fazendo essa campanha porque essa experiência pra mim foi muito difícil e eu só posso apenas imaginar o que as pessoas sentem quando sofrem bullying. Elas não podem mudar seus rostos, corpos ou a maneira como falam ou de onde elas são”.

HB: Vocês são felizes de não terem tido Instagram quando estavam na escola?

Cara: “Fico aliviada de não ter tido na escola. Não sei como as crianças lidam com isso agora. Obviamente tínhamos coisas como MySpace, MSN e Facebook mas tudo era apenas sobre se conectar e manter contato. Definitivamente deu as crianças muito mais em termos de conexão mas essas coisas vem com grandes doses de perigo. Acho que as crianças hoje crescem muito mais rápido e tem muito mais coisas para lidar. A pressão é muito dura. Acho que enquanto todos estão se adaptando, é importante ouvir uns aos outros, entender o quão sensíveis as pessoas são e saber o que é aceitável”.

HB: O que você diria pro seu eu adolescente se ela tivesse redes sociais?

Rita: “Eu provavelmente dirita para ficar fiel a quem eu sou Tive um momento de insegurança quando eu estava começando e eu senti que eu não poderia ser eu mesma, e agora isso meio que me motiva pro futuro porque se eu fosse eu mesma então eu provavelmente seria diferente agora. Mas sou muito grata pela experiência que tive”.

Cara: “Eu diria que se leva mais que 10 segundos para decidir entre postar algo nas redes sociais, esqueça. Quando eu vejo pessoas surtando sobre ‘eu deveria postar isso ou não?’ eu acho que se você tem que fazer alguma coisa, faça, se não, não. Tem muito ‘eu deveria dizer?’, mas enquanto é obviamente bom não dizer coisas estúpidas, pessoas pensam demais sobre isso É bom ser você mesma e seguir o ritmo, expressar você mesma livremente, ou tentar”.

HB: Como vocês se sentem ao fazer selfies para as redes sociais empoderadoramente, e insipiram confiança no lugar da ansiedade?

Rita: “Ansiedade é uma coisa real. Eu sofro com isso e todos sofrem de alguma forma, no sentido de preocupação, frustração, estresse… Com selfies, enquanto eu gostar das minhas fotos, eu não ligo. É tudo sobre a iluminação. Faz eu me sentir viva e acordada. Sei que as vezes eu posto fotos nua nas minhas redes sociais mas para mim não é doido porque é meu corpo. Recentemente fiz a capa da Clash e eu estava basicamente nua, com exceção de um par de luvas e foi uma das coisas mais libertadoras que eu já fiz”.

Cara: “Te mandei uma mensagem depois disso. Quantas pessoas devem ter te mandado mensagens empoderadoras?”

Rita: “Mas você tem que se lembrar, essas conversas, quando as pessoas que te mandam mensagens são pessoas que você respeita, fazem você se sentir confiante. Tipo ‘sabe, eu tenho apoio de pessoas que eu respeito e amo’. Isso pra mim faz ficar mais fácil de postar”.

Cara: “Aí que está, pode ser na vida real quando você está andando na rua ou quando você vê uma foto de um amigo no Instagram e você pensa ‘nossa eles estão lindos’, mas você não faz nada sobre isso, você só pensa. Pessoas fazem julgamentos horríveis sobre as outras pessoas o tempo todo, então por que você não pode dizer algo bom para essa pessoa? Você não sabe o quanto irá significar para elas. Todos precisam de validação. Todos querem se sentir ouvidos e apoiados”

HB: Qual sua filosofia no que diz respeito a beleza?

Cara: “Minha filosofia de beleza é continuar verdadeira a quem você é e também não ter medo de se expressar. Seja doida, seja divertida, seja selvagem, se divirta mas também tire a roupa e fique nua. Tem tantas coisas que você pode fazer com a beleza, tantas maneiras diferentes de ser única e não importa o que qualquer outra pessoa pense. Seja você”.

Rita: “Pra mim, é sobre representar de onde você veio, seja você uma linda rosa inglesa ou alguém como eu mesma, que cresceu num país diferente. Eu vim aqui e me senti realmente aceita e isso te dá aquela confiança. Quando estávamos crescendo Cara sempre me disse para ser eu mesma e isso ficou marcado em mim”.

Cara: “Ela fez o mesmo para mim”.

HB: Maquiagem sempre foi uma maneira para mulheres e homens se expressarem. Como vocês a usam?

Rita: “Uso a moda e a maquiagem como algo para me expressar mas também algo para me esconder. É isso que a faz ser tão interessante para mim”.

Cara: “Quando comecei minha carreira eu senti que estava usando tanta maquiagem no trabalho que eu não queria me expressar pessoalmente usando maquiagem, porque eu queria apenas não usar quando eu pudesse. Mas agora sinto que tenho mais liberdade com ela, é uma maneira divertida de fazer experimentos com a beleza. Especialmente com meu cabelo mais curto eu costumo ir mais dramática com os olhos ou colocar lábios vermelhos, ouir mais neutra e masculina… É legal brincar com isso”.

HB: Qual conselho vocês dariam para aqueles que não tem a confiança para celebrar sua própria beleza e individualidade?

Cara: “Meu conselho seria que não ajuda a sua auto-confiança você não ser você mesma. É realmente importante não se rodear de pessoas que vão te deixar pra baixo. A coisa mais importante que eu aprendi na vida é me rodear de pessoas que te inspiram e te levantam e te dizem a verdade. Sabe, quando você vai pra um clube e a sua maquiagem tá borrada, ou se você tem algo nos dentes, seus amigos tem que te dizer isso, mas de uma maneira legal. Não é sobre botar o outro pra baixo”.

HB: O que vocês aprenderam sobre confiança ao longo de suas carreiras?

Cara: “Pra mim, confiança é algo diário. Não é sobre ser uma pessoa confiante ou insegura, eu sou bem extrovertida mas sou super insegura. Pessoas lidam com insegurança e vergonha de maneiras diferentes. Não julgue nunca alguém pelo jeito que elas são porque não necessariamente combina com o que elas são por dentro. Dê um tempo para todos e trate todos com o mesmo respeito que você espera que as pessoas te deem”.

Rita: “A primeira impressão para mim não é tão importante quanto as outras pessoas pensam que ela é. Gosto de conhecer alguém e dar tempo a elas para quebrar o gelo. As vezes é super difícil na nossa indústria quando você tem uma janela de um segundo para conhecer alguém e deixar uma impressão”.

HB: Quem ou o que te inspira a se expressar?

Cara: “Geralmente, mulheres me inspiram, não importa como. Quanto mais você conhece cada mulher, sua história, força e inspiração. Agora, mais e mais mulheres estão encontrando uma voz para defender o que elas acreditam. Quanto mais vulnerabilidade é discutida, melhor”.