Foi divulgada hoje a entrevista completa de Rita Ora para a Refinery29, juntamente com um ensaio fotográfico inédito da cantora feito por seu amigo, o fotógrafo Damon Baker. Nessa entrevista, Rita Ora fala sobre seu novo álbum, planejado para ser lançado na primavera de 2016 no hemisfério norte, a luta contra sua gravadora para o lançamento do projeto, inspirações, e mais. Confira as fotos e logo abaixo a tradução completa feita pelo Rita Ora Brasil.


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O cachorrinho de Rita Ora não para de transar com as coisas. O cão, que é metade maltês, metade poodle, não maior do que uma batata-doce, e chamado Cher, encontra uma abundância de “itens de amar” ao longo das horas de minha conversa com Ora: um travesseiro, um canto do sofá, e finalmente, um urso de pelúcia, com o qual ela se torna íntima por cerca de meia hora. “Oh, meu Deus”, diz Ora, ajustando a tela em seu laptop para que eu possa obter uma visão completa da ação. “Ela gosta, olha para você, enquanto ela está fazendo isso.”

Falo com Ora via Skype, porque estou em Nova Iorque e ela está em Londres, em sua casa luxuosa. Ela vive em um bairro do noroeste chamado Kilburn, que não é muito longe de onde ela cresceu, um enclave boêmio perto de Portobello Road. A vizinhança se modernizou um pouco desde quando Ora era uma garotinha que cantava no pub de seu pai, The Queen’s Arms, ostentando seu rico mezzo-soprano enquanto enquanto clientes ficavam bêbados de shandies e devoravam tortas de carne.

Embora Ora, agora com 25, tenha nascido no Kosovo, ela se mudou para Londres com um ano de idade, quando seus pais fugiram da perseguição dos Albanianos. (Ela ainda fala Albaniano fluentemente e visita o Kosovo ocasionalmente, voltando como uma espécie de herói folclórico brilhante.) Ela considera a Grã-bretanha, aonde ela é muito famosa, sua casa espiritual. Ela até colocou uma música sobre isso em seu novo álbum. “É chamada ‘Home,’” ela diz. “E é sobre como eu gostaria de lembrar de minha cidade natal de que eu estou aqui ainda, sabe? Estou sempre nos Estados Unidos, e eu estou sempre na estrada, e as vezes quando não estamos fisicamente aqui, as pessoas pensam que você não está mais aqui sabe? Mas eu estou.”

Quando Ora está em casa, ela está cercada de uma comitiva. Ela parece decididamente casual quando nós conversamos. Seu cabelo platinado está solto e bagunçado, ela está vestindo uma camiseta bem grande e fica se contorcendo no sofá em posições confortáveis enquanto fuma cigarros. Mas ela tem um time enorme passando ao redor dela, constantemente aparecendo na tela. Tem Kyle, seu “stylist e melhor amigo,” que aparece como se fosse mágica atrás do sofá, vestindo uma camisa Butthole Surfers. Então tem Damon, “meu fotógrafo e melhor amigo” (Ora tem um monte de melhores amigos), que a fotografou para esse editorial, com, o que ela mesma disse, “glitter e tudo mais” e que passa pelo computador por alguns segundos pra dizer oi e ir para outro quarto. Tem a assistente que trás para Ora um como de chá e um cigarro novo, um publicista olhando para a tela, e claro, Cher, transando. É uma grande e bagunçada família, todos unidos como uma equipe de corridas para apoiar uma das maiores estrelas do pop britânico enquanto ela se prepara para sua estreia Americana oficial na próxima primavera.

Ora nunca lançou um álbum nos Estados Unidos. Seu novo, ainda sem título, está pronto para ser lançado em 2016, e irá marcar sua verdadeira estreia nesse lado do mundo. É difícil de acreditar que ela ainda está tentando estourar no mercado americano, porque seu nome, um poderoso na Inglaterra aonde seus singles estão no topo dos charts e ela é uma jurada no The X Factor, tem rondado a cena da música americana por anos. Seu primeiro single britânico, “How We Do (Party)” foi um hit dos clubes ao redor do mundo em 2012. Seu álbum de estreia, Ora, lançado no mesmo ano, colcou três singles em #1 na Inglaterra. Ela está assinada com a gravadora de Jay Z, Roc Nation, e considera Beyoncé e Prince como seus mentores. Ela vestiu macacões de ninja com Iggy Azalea no vídeo de 2014, “Black Widow,” que tem mais de 350 milhões de visualizações. Ela cantou no Oscar de 2015 vestindo luvas de satim que iam até os ombros e uma jóia de Grace Kelly, cantando “Grateful,” a música nomeada de Beyond the Lights (um filme que, apropriadamente, é sobre a ascensão de uma jovem estrela britânica que alcança os charts da Billboard antes mesmo de lançar um álbum).
Você também pode se lembrar de Ora sendo a face da linha de roupas Material Girl de Madonna, e da mais recente fragrância New York de Donna Karan. A linha de roupas desenhadas por Ora para a Adidas Originals está disponível para compra ao redor do país. “Sou a única mulher desde Missy Elliott a fazer algo com a Adidas,” Ora diz. “Sou eu, tipo, eu, Missy e Stella McCartney.” (Ela menciona isso como uma fonte de orgulho, durante nossa entrevista ela alterna entre gentil e descolada, um estilo que uma estrela deve equilibrar quando fala com a imprensa.) E finalmente, a vida amorosa de Ora é uma constante fonte de fascínio. Tablóides e sites de fofoca tem acompanhado seus romances com Calvin Harris, Rob Kardashian, e o baterista do Blink 182, Travis Barker, incessantemente.

Por cada métrica de estrelato pop que existe, Rita Ora chegou.

E ainda assim, aqui nos Estados Unidos, ela está de alguma forma posicionada como uma aspirante, alguém que a indústria tem tentado “fazer acontecer” por anos agora. Existem memes sobre isso: Um mostra Regina George de Mean Girls posando com as palavras “Parem de tentar fazer Rita Ora acontecer.” Outro envolve usuários no Twitter respondendo “Quem?” todas as vezes que o nome de Rita Ora aparece na imprensa. As massas podem ser crueis com popstars e eles são decididamente impertinentes quando se referem à Ora. Seus singles mais recentes, “Poison” e “Body on Me” (o último com a parceria de Chris Brown) alcançaram os números #3 e #22 nos charts do UK, respectivamente. Mas eles não chartearam nos Estados Unidos. Ela é conhecida em todos os lugares, vista em todos os lugares, mas não consegue ser apreciada em todos os lugares como uma artista.

Se esse novo álbum mudar isso, será uma longa jornada. Em 2009, Ora, que tinha apenas 17 anos, fez uma audição para o Eurovision: Your Country Needs You, mas logo desistiu porque ela não queria ganhar sua fama por meio de um reality show. Ela continuou cantando no pub de seu pai e indo à estúdios de Londres, gravando versos de parceria para músicas de artistas britânicos como Craig David e Tinchy Stryder. Ela fez algumas demos, mandou elas por aí e começou a postá-las na internet.

E então, o chamado dos céus. Roc Nation. De primeira, ela achou que era sua avó à ligando do Kosovo, mas era a América na linha, pedindo que ela voasse pelo oceano com executivos de Jay Z e se encontrasse com o homem em pessoa. Ela fez, e conseguiu um contrato em poucas horas.

Perto de 7 anos depois, uma eternidade em anos pop, Ora está focada no que ela quer para o novo álbum. E isso inclui ser lançado mundialmente no mesmo dia. Ela lutou contra sua gravadora por isso, chegando a adiar o projeto quando sua gestão disse que seria melhor ela focar em sua fã-base Europeia. “São quase sete anos,” ela rosna, e pede por um copo de chã com limão para sua assistente. “Foi um pouco de uma luta. Com o primeiro álbum nós não nos expandimos para os Estados Unidos. Do ponto de vista da gravadora, eles disseram que não era a hora certa. Eu tinha só uns 19 ou 20 anos e eu estava tão animada em fazer música e cantar ao vivo. Eu poderia adivinhar o que iria acontecer. Mas agora eu sei. Disse a eles: ‘Olha, eu quero apenas lançar meu álbum em todos os lugares.’ Todo mundo acha que eles sabiam melhor que eu. Mas eu venci essa batalha.”

E por essa jornada, Ora fez tudo certo para se posicionar para a dominação global. Ela se tornou associada com o mundo da moda, com seus batons vermelhos característicos, cabelos dourados à lá Marilyn, e looks fortes que poucas pessoas conseguiriam usar (botas altas PVC, vestidos com cortes no abdômen, corsets de couro). E ela cresceu. Quando falo com ela, ela parece calma e centrada, nada como a garota selvagem das festas que os sites de fofoca insistem que ela é, noticiando cada saída dela com um potencial novo interesse amoroso. Quando a pergunto sobre sua vida amorosa sendo alvo de dramas dos tabloides, ela disse que já não se importa mais.

“Costumava ser obcecada com isso,” ela diz. “Eu pesquisava meu nome no Goolgle e blah, blah, blah. Mas veja, até mesmo falar sobre isso irá se tornar um motivo para começarem a falar. O lado da fofoca não afeta o que eu faço. As coisas pessoas disso na realidade, tipo estar em um relacionamento, me afetam. Não espero que ninguém entenda meus relacionamentos, porque eles não estão no meu lugar naquele momento, naquele relacionamento.”

Nesse momento em particular, ela está solteira. “Estou apaixonada pelo meu trabalho,” ela fiz, empregando a clássica frase de pessoas famosas para calar a boca de repórteres barulhentos. Quando explicava como ela escreveu o novo álbum, ela faz uma menção casual sobre um ex namorado que, julgando pela linha do tempo, é provável que seja Calvin Harris, com quem ela se separou no último ano. “Tudo começou quando eu estava em turnê pela Europa com meu último álbum,” ela diz. “Queria lançar músicas novas e eu estava, tipo, falando nas músicas sobre estar sozinha e então encontrar um namorado no momento e ficar com essa pessoa por tipo, um ano, e aos poucos me separar dela. Basicamente, é a vida real.”

Sobre como a colaboração com Chris Brown “Body on Me” surgiu, Ora descreve como algo acaso. “Honestamente, foi tão fácil”, diz ela. “Não foi forçado. Ele estava gravando na sala ao lado no mesmo estúdio em Los Angeles e eu entrei e disse: ‘Hey, tem essa música que eu quero que você ouça, quero que você esteja envolvido.’ Foi simples assim. Foi de artista para artista.” Pergunto-a se ela hesitou em se juntar forças com um artista que continua sendo polarizado após seis anos depois de sua prisão por violência doméstica por agredir Rihanna. “Não pensei longe assim,” ela diz. “Sou uma fã de sua música e eu queria trabalhar com ele de músico para músico, na realidade. Todas as outras coisas não tem nada a ver comigo.”

“Body on Me” é uma faixa upbeat R&B na veia de The Weeknd, mas Ora enfatiza que seu novo álbum terá um pouco de tudo para todo mundo. Tem pop, soul, hip-hop e até mesmo baladas. Ela trabalhou com produtores e co-compositores Dev Hynes, Ed Sheeran, Diplo, Naughty Boys, Sigma, e “esses rapazes incríveis do UK chamados TMS.” Ela espera que seus ouvintes, até mesmo seus leais Ritabots, vejam essas novas músicas como um renascimento. “Tem um tom mais sombrio, mais sexual nelas,” ela diz. “E acho que é mais direto.”

Ora se prepara para uma turnê que deve durar cerca de um ano para a divulgação do novo material e ela diz um pouco sobre as inspirações que tem ocupado seu cérebro ultimamente. Tem seu amor sobre música punk, que ela nunca consegue se desligar. “Traço minhas iniciativas de artistas como Madonna e Blondie e Freddie Mercury, mas eu costumava amar muito punk na minha adolescência: Bad Brains, Circle Jerks, Suicidal Tendencies. Tenho essa coleção massiva de camisetas de bandas punk e todo mundo tem inveja delas.” Ela também fala sobre um livro de fotografias chamado “A Period of Juvenile Prosperity”. Uma pessoa de 17 anos chamada Mike Brodie subiu no trêm errado na América do Sul e acabou na estrada por seis meses, tirando polaróides das famílias transeuntes que ele encontrava no caminho. “Esse livro foi uma grande inspiração para o álbum, criativamente,” Ora diz. “Tem essa foto incrível de uma criança olhando pela ponte com uma mochila, olhando para os trilhos. Atrás dele tem esse Rolls-Royce, mas ele não poderia se importar menos com isso. Amo como essa pequena família ficou junta e o quão próximos eles foram. Isso realmente se conectou comigo.”

Além de ficar filosófica sobre transportes de trens, Rita começou a falar em geometria sagrada, uma crença moderna que descreve poderes místicos para certas formas. “Tenho essa tatuagem nas minhas costas que são basicamente os sinais vitais. Tem oito pontas nela, mostrando que todos somos conectados.”

Já vi essa nova tatuagem porque ela colocou uma figura dela no Instagram. Apesar de que Ora ter um longo caminho a percorrer antes de alcançar alguns de seus contemporâneos (ela tem 7,2 milhões de seguidores em comparação com os 53,3 milhões de Beyoncé), as mídias sociais são seu passatempo favorito, e ela cuida de tudo sozinha. Sua equipe pode andar pela sua casa, mas é ela quem tira suas selfies, muito obrigada. “Mídias sociais são como bolas de feno,” ela diz. “Meio que só continua rolando, e, se você não dizer nada, as pessoas vão apenas, tipo, quase que se esquecer sobre você.”

Ora não irá deixar isso acontecer. Ela sabe como jogar o jogo da fama e continuar ganhando. Ela pode andar num tapete vermelho com os melhores de todos, promover produtos como ninguém, aparecer nas festas certas com os vestidos certos, e fazer manchetes por uma interpretação de tom perfeito do hit de Adele, “Hello”, que ela recentemente improvisou em uma entrevista no rádio. E ela está se diversificando: ela apareceu como convidada num episódio de Empire e apareceu nos filmes Southpaw (como uma drogada) e Cinquenta Tons de Cinza (como a irmã de Christian Grey, Mia, ela assinou para as duas sequências). A ambição de Ora é clara e ela vai continuar lutando para conseguir o que ela quer. “O objetivo é fazer essa coisa eterna que Madonna tem feito. Vou continuar meu caminho até eu não conseguir mais.”

E com isso, Ora olha para Cher, que continua se esfregando no pobre ursinho de pelúcia. “Ela é uma pequenininha cheia de tesão,” a cantora diz, bufando. “É nojento. Eu amo.”